sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Fome e vontade de comer

Minha mãe tinha diabetes, ela me dizia que o bom da vida é quando a gente tem vontade de comer algo e pode, a psicologia defende que a felicidade é a alegria entre as tristezas da vida. Heráclito era um filósofo apaixonado pelo tempo, ele dizia que o tempo é um rio, não se pode entrar no mesmo rio duas vezes, por que na segunda, ele não será mais o mesmo. Aí vem o Lulu Santos com a quela música que diz: "Nada do que foi será, de novo do jeito que já foi um dia...". Todos têm algo semelhante nos seus diferentes modos de interpretar o que vem a ser felicidade. O Rubem psicanalista, disse que das dez mil palavras, a que todos os pacientes buscam é alegria e não prazer.
Então, com o tempo fui percebendo que como Heráclito os momentos são únicos, efêmeros, passam a ser lembranças depois de vividos. E a hora de viver é pra ser vivia, é juntar a fome com a vontade de comer, como diz o senso comum. Acho que por isso sou meio pegajosa, se eu tenho um abraço pra receber, abraço forte bem apertado pra sentir e ser sentida, não sei se aquele será o último. Há quem diga que quando tomo um vinho parece que estou em êxtase, saboreio mesmo, assim como quando tomo sorvete de pinha, e se tiver sido feito por Carmita então. Tudibom. Gosto quando meu pequeno chega e faz de mim seu eucalipto e ele é meu coala, mas tá crescendo e em breve não poderei mais ser o seu puleiro, vai dar cupim, e por isso curto cada abraço desse modelo. Há pessoas que abracei sem saber que era o último abraço, mas agora são lembranças boas de momentos efêmeros, pois não é que a vida é feita disso? E essas meninas e meninos sabidos sabiam disso.
E nas voltas que o mundo dá, quando eu tiver vontade de dizer que amo continuarei a fazer, quando quiser abraçar, sorrir, fazer brigas de travesseiros e pular sobre a cama, ficar o domingo preguiçando com meias e moletons vendo filme e comendo pipoca farei e com eles não há nada mais prazeroso ou alegre como queiram chamar.

Um comentário:

  1. "E a hora de viver é pra ser vivida, é juntar a fome com a vontade de comer, como diz o senso comum". Essa fome e vontade de comer, caríssima Ana, estão no campo da abstração, na subjetividade. Você não pega a fome nem a vontade de comer pelo braço para dar um passeio. São sentimentos como a alegria, a tristeza, o amor e o ódio, por exemplo. Heráclito está implícito aí, nessas contradições. E, como Lulu Santos, também está implícito nesses exemplos o grande Gregório de Matos: "Nasce o sol e não dura mais que um dia...". Eu, neste momento, leio de pijamas, pra variar, mais este belo texto seu. Apaixonar-se pela vida, vida afora, é tudibom!

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