domingo, 28 de setembro de 2014

Santidade

O dia vinte e sete de setembro é quando se comemora os santos meninos Cosme e Damião. Eu menina gostava desse dia pra ganhar doces das pessoas que faziam promessas para os santos e reza a tradição que deveriam agradar os santos ao passo que se agradava as crianças. Por aqui a tradição do candomblé, festeja de forma diferente, oferecem caruru, vatapá e pipoca para as crianças que são convidadas a fazerem as refeições nas residências. Os gêmeos são associados aos ibejis, gêmeos amigos das crianças que teriam a capacidade de agilizar qualquer pedido que lhes fosse feito em troca de doces e guloseimas. O nome Cosme significa “o enfeitado” e Damião, “o popular”. Segundo conta a lenda. Exerciam a medicina na Síria, em Egéia e na Ásia Menos sem receber qualquer pagamento por isso, razão pela qual eram chamados de anargiros, ou seja, inimigos do dinheiro.
Fui buscar o Mateus na escola e logo ele me vem com uma história interessante como todas as demais. Uma senhora pergunta pra ele o nome e ao responder ganha doces, ela supõe que ele é católico, a coleguinha não recebeu o doce por que seu nome era indígena. Então ele dá a sacolinha dele pra ela (não gosta muito de doces). Depois a mulher pergunta qual a religião dele, e simplesmente a resposta é: "Não sei". Começam as especulações. Depois ele diz, pra acabar a história sou cristão, batizado e ponto, né mãe? Pois bem, foi batizado sim e daí?

Mateus, eu e os dindos Célio E Nem

Fico me questionando, como é que as pessoas falam tanto em respeito á diversidade, a cultura e agem tão preconceituosamente assim. Deduzir a religião de uma pessoa pelo nome que carrega e não pela atitude que toma perante ao próximo. E nas voltas que o mundo dá, fico com o Chico que disse que as vezes é melhor lidar com pessoas sem religião, e como anda o mundo com esse fanatismo colocando Deus em tudo. Sei não viu.

Um comentário:

  1. Muito boa a resposta do Mateus, saindo do embaraço: "Pra acabar a história sou cristão, batizado e ponto". Concordo contigo, Ana Débora. Estamos ainda muito distantes de uma convivência pacífica entre diferentes semelhantes.

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