sábado, 22 de novembro de 2014

Promessa

No Japão, todo mês de novembro milhares de pessoas se reúnem para homenagear os quarenta e sete ronins. Eles eram samurais que perderam seu mestre e depois se reúnem para salvar a vida da filha do mestre e seu povo. Como agiram fora das leis dos samurais foram todos sentenciados a cometerem o seppuku. Devido ao respeito ao código Bushido que significa "Caminho do guerreiro". Eles acreditavam na vida após a morte, praticavam a meditação Zen. Com os ensinamentos Zen, os samurais buscavam entrar em harmonia com o seu Eu interior e com o mundo à sua volta. O desapego era a base do samurai e, com a prática do desapego, os samurais formaram a maior casta de guerreiros que já existiu. Eles davam grande importância para o patriotismo com o seu país, o Japão. Eles creem que a terra  não existe apenas para suprir as necessidades das pessoas. "É a residência sagrada dos deuses e dos espíritos dos seus antepassados. "A Terra deve ser cuidada, protegida e alimentada por um Amor intenso.
Um dos samurais era o grande amor da vida da filha do mestre que em seu haicai escreveu: "Eu te procurarei em mil mundos, por dez mil anos ate te encontrar". Os índios americanos dizem que é preciso "andar sobre as palavras". Isso por que eles acreditam que cada promessa feita é como um fio invisível e quando não cumprida se torna um fio solto. Muitos fios soltos podem se tornar um novelo e complicar a vida dos não cumpridores de promessa.
Tenho o hábito de só prometer o que posso de fato cumprir, por isso, prometo pouco. Os meus sabem tanto disso que quando lhes asseguro algo, eles confiam cegamente. E nas voltas que o mundo dá, promessa é de fato uma dívida, por isso, é imperativo não prometer nada enquanto se está tomado por emoções. É preciso tranquilidade para se poder cumprir o que se promete. E fico pensando como aquele samurai vai viver tantas vidas em tantos mundos a procura de um único amor, ela deve realmente valer a pena como disse o poeta Pessoa. E é assim como a Clarissa Corrêa disse: "E o tempo nem sempre cura tudo. Tenho feridas que já cicatrizaram, mas que insistem em latejar quando o dia está nublado".

Um comentário:

  1. Não será o tempo a curar as dores, feridas... ele é só o suporte onde nós artistas exercitamos a verdadeira arte da cura, resumida em quatro letras: amar. Ah, quem dera ser samurai, quem dera ter um amor desse para escrever um hai-kai!

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