sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Estrelando

Numa noite de lua cheia a aldeia dormia em silêncio. Ele estava fora de sua tenda como sempre a observar o céu negro e pontuado de estrelas. Quando de repente um clarão e um buraco no chão do outro lado do rio, ele atravessou e curioso foi ver o que era a novidade. Teria uma estrela despencado do firmamento? Chegando do outro lado no chão, está uma figura feminina, branca limpa e de semblante tranquilo. Ele pensou tratar-se de uma deusa expulsa de seu planeta com o deus Thor, ou um anjo caído, ou quem sabe até uma exilada de um planeta decadente como crípton.
Depois de ver que a mesma já não respondia, limpou, admirou e a enterrou, sobre a terra que lhe cobria o corpo nu, plantou uma semente. Nas noites seguintes não parava de pensar nela, aquelas mão teriam acariciado outros corpos, bordado, costurado, teriam sido tocadas? Teria ela sido amada, odiada? Teria sido guerreira ou rainha? E nunca mais enxergou as mulheres de sua tribo da mesma maneira. E e ela nunca mais saiu de seus pensamentos, fez morada lá. E todas as primaveras quando as flores da cerejeira plantada sobre seu túmulo simples brotam e se espalham pelo vendo ele pode tocar a delicadeza de suas mãos nas pétalas das flores, e sentir seu cheiro doce como se ela ainda estivesse ao seu lado pra sempre. E assim ele segue estrelando os dezembros de sua nova jornada onde nunca mais se sentiu sozinho.

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