domingo, 22 de março de 2015

Batom

Escrevo-te já noite a dentro
Observo os teus suaves movimentos
Enquanto devoras o que escrevo
Acalenta meu coração e as emoções intocadas de agora
E quando a  manhã aflora, pinto os lábios de batom vermelho
Para mostrar a sangria de alma mundo a fora.

De tanto já foi dito
Muito mais já foi escrito
Das loucuras de uma alma forasteira
Ainda és tu que colhes em minhas roseiras.
Gosto do canto do sabiá e da liberdade do beija flor
Seria loucura ou insanidades de amor?

Hoje já não canto
Mas não tenho pranto
A vida segue a deriva
Corro e vivo em carne viva.

Tento enxergar no texto o desenho do encanto
Aquele que sempre esqueço
Por que em teus braços me balanço
Nele calo meu canto
Em teu colo me aqueço.

Por que és sol e eu sou lua
Tu vestes a minha alma nua
Tu em minha vida e eu na tua.

3 comentários:

  1. Pensei um Neruda, mas é um Mascarenhas. Adoro seus escritos.

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  2. Ana,
    Se me fosse permitido "adulterar" eu acrescentaria:
    "Nos cabelos duas tranças,
    na boca um batom vermelho
    e na mão fulô de araçá".

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  3. Ao contrário do que muitos pensam (Carlos Almeida) não retiraria nem acrescentaria nada (será?).
    No entanto, o início é bem formal (coisas da língua) e eu assim diria
    “Te escrevo já noite a dentro
    Observando os teus movimentos
    Vendo-te devorar meus escritos (diria)
    Te vendo devorar meus escritos (ou ainda)
    Vendo te devorar meus escritos (eles devoram o leitor enquanto são lidos)
    Alenta meu coração e as emoções intocadas
    Que ainda agora e quando a manhã aflora,
    Pinto os lábios de batom vermelho
    Para mostrar a sangria de alma mundo a fora.”

    E digo mais:

    “Hoje já não canto
    Mas não tenho pranto
    A vida segue a deriva
    Corro e vivo em carne viva”
    é dor demais!

    E se:
    Hoje já não canto, quanto
    Mas não tenho pranto, tanto
    A vida segue a deriva, deveras
    Corro e vivo em carne viva, vivo!

    Por fim, é quase o Feitiço de Águila.

    Quero mais ler assim (poema) e do outro jeito também (prosa)! Parabéns! A poesia está presente sempre.

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