quinta-feira, 26 de março de 2015

Café com bobagens

Sou apaixonada por esse nego cheiroso, em dias frios mais ainda, seu aroma me lembra as vezes a casa da vó com pilão de madeira e tudo o mais, outras vezes me lembram os cafés sofisticados, desses que a gente ver em cafeterias com requinte e o prazer de degustar uma xícara com canela e tudo o mais. Numa dessas paradinhas no meio da tarde, olho pra fumaça que sai dele e pareço me transportar.
A vida as vezes me parece uma rua muito comprida, nela tem pessoas que chegam, outras passam, algumas caminham conosco por um longo tempo, outras não passam de uma trombada na esquina. Encontrei uma amiga dos tempos da faculdade, ela demora um pouco e chega junto, me pergunta o que fiz da vida, me conta que tem feito uma série de coisas e está feliz, eu ouço a conversa toda e fico ali observando seus movimentos. Aprendi a ouvir mais e falar menos, um exercício que tenho praticado bem.


Confesso que os humanos as vezes me assustam, me dou conta que tenho evitado lugares abertos e com pessoas, talvez por que eles sempre me perturbam de alguma forma deixando um pouco de si, ou levando um pouco de mim. Fiquei feliz de encontrá-la com o sorriso no rosto e uma xícara de café nas mãos. E como ela mesmo disse: "Ser amiga de quem escreve, isso vai dar assunto pra o blog". E não é que deu? Gosto de meninas sabidas. Escrevo um pouco do que vai aqui dentro, mas muito do que vai lá fora. Vejo nos humanos olhares cheios de nada e movimentos nus de gestos.
E nas voltas que  mundo dá, volto pra o conforto de dentro de mim e continuo a caminhada pela rua comprida da vida esbarrando em outras pessoas, descobrindo os encantos da vida que se somam a fumaça do café.

3 comentários:

  1. Ana, descobri que temos mais duas coisas em comum : o gosto pelo café e um certo medo de lugares abertos e cheios de gente. Mais uma vez, minha querida, você acertou o meu coração em cheio.
    Obrigada!

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  2. Tenho medo até de certas fotografias, Sílvia Araújo Silvinha. Sou viciado em café, e olhe que não conheço os melhores. Mas, nessa caminhada, do jeito que recebo deixo ir, afinal, o amor só dura em liberdade e as relações são quase como a fumaça do café, a gente só sabe onde começa.

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  3. Isso me lembra Moacir Laurentino e Sebastião da Silva:
    "Aquele café torrado de forma muito singela, num caco ou numa tigela tinha o sabor destacado. Depois de feito, coado, mamãe pra mesa trazia, o aroma se estendia pelo casarão inteiro. Eu ainda sinto o cheiro do café que mãe fazia". Simples assim!

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