quarta-feira, 11 de março de 2015

Luzes

Ele era a luz, a mansidão e a companhia adequada. Ela, mar revolto, enluarada transbordante de desejos. Trançava os cabelos como se fossem fios de luz da lua e buscava encontrá-lo nos voos matinais. Ele, depois de anos se encantou com a sua intensidade, depois de um tempo virou as costas, e ela prometeu nunca mais voltar. Certo dia ela percebeu que a luz dele não passava de reflexo emprestado de outro astro, que sua mansidão era apenas desprezo. Ela cortou o braço, e o sangue que brotava era como se uma música suave saísse transbordando todo sentimento que nutrira. Trançou os cabelos, subiu na nuvem e e deixou o rastro do arco iris com suas cores no céu. E nunca mais se ouviu falar dela.
E nas voltas que o mundo dá, as vezes as descobertas se mostram tão dolorosas que o tempo passa, e em sua passagem leva o vento da lembrança e deixa o espaço leve pra a brisa de outono.

2 comentários:

  1. Conto, curto e eu curto cada conto seu. Lindeza pura.

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  2. Prosa poética cheia de imagens que ainda estou tentando ler...

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