quinta-feira, 5 de março de 2015

O melhor lugar

Todo final de mês, minha avó torrava o café para o uso do mês, era uma festa para os sentidos. Primeiro colocava-se o açúcar no tacho com os grãos até ficarem bem pretinhos e um aroma tomava conta da cozinha com seu fogão de lenha, depois se pilava no pilão antigo de madeira, peneirava e guardava. Quando chegava visita o o lugar que ela os recebia era na cozinha perto de sua pequena horta do quintal.
Eu cresci vendo as irmãs se reunirem na cozinha da casa de minha mãe em dias de festa. Para mim, os festejos começavam ali, era onde se cortavam os legumes, preparavam-se as carnes e os bolos para as festas de fim de ano, era onde se fazia a pamonha para os festejos juninos. E nessa preparação se tinha uma verdadeira festa, se beliscava aqui experimentava ali, se contava uma história e outra. Era melhor que a festa em si. O Guimarães Rosa disse certa vez que: "a coisa não está nem na partida e nem na chegada, mas na travessia." (Tô contigo João).
A cozinha pra mim, é um lugar sagrado, longe dos olhares estranhos, das visitas formais. É nela onde a gente encontra os mais chegados, sente o perfume do alimento sendo preparado. Costumo convidar pessoas para cozinhar, não para comer simplesmente. É tomando um vinho preparando uma sopa, um aperitivo, ou um bolo com as crianças desde cedo fazem bagunças gostosas comigo.
E nas voltas que o mundo dá, ontem tentamos fazer um bolo de chocolate, não ficou muito bonito mas ficou gostoso e o preparo foi como sempre uma algazarra, cada um dava a sua opinião. E eu vou me luarizando com essas aventuras. Não sei cozinhar, mas a gente inventa, só o cheiro já vale a pena. E como disse o João eu repito, o melhor da festa é o preparo dela. E o melhor da casa será sempre a cozinha.

2 comentários:

  1. O melhor lugar do mundo é lá! Sozinho quase nunca, mas acompanhado, sempre que possível! E a pamonha é motivo de saudade!

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  2. Quem bem trata dessa temática é o filósofo Mário Sérgio Cortella, em sua "Despamonhalização da Vida", uma cultura um tanto esquecida. É lá na cozinha que a vida flui com os aromas, trecos, sons e calor humano. Ali a casa se faz mais aconchegante. O alimento maior é do espírito, embora nos sirva para encher, também, o "bucho".

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