terça-feira, 7 de abril de 2015

Abril

Eliot disse que abril é o mês mais cruel do ano. Eu gosto das particularidades desse mês, ontem a lua linda foi coberta de nuvens e trovoadas tomaram conta da noite, relâmpagos anunciando a tempestade que chegava, e logo, lá estava as águas de outono exalando o cheiro da terra molhada. Vieram imagem, frases feitas outras nem tanto vou tateando os olhos nas mudanças, respirando o ar perfumado lembrei das ruas por onde andei, as mãos que toquei e são as suas que mais me acalma.
Escrever na primeira pessoa é com se rasgasse a alma, como aquela música do Gonzaga que diz; "furaro os oios do assum preto, pra ele assim ai, canta mior". Minha alma agrestina lembrando o semi árido, quero ser umbuzeiro, ter em minha raízes profundas nutrientes para o verão escaldante, quero ser o fruto doce na safra farta, quero oferecer minha sombra em horas quentes, e quando tudo estiver ruim me desfolhar para que novas folhas possam brotar.
E nas voltas que o mundo dá, abril não é tão mal assim, trouxe chuva, alegria e uma viagem sensorial, pois como Gibran, aprendi a amar as tempestades.

Um comentário:

  1. Eu eu que nasci no abril do ano que não fechou, 1968. Agora comemoro mais íntima e intensamente essa efeméride anual que nunca gostei: aniversário. E um presente já ganhei. Esse que li acima.

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