quarta-feira, 20 de maio de 2015

Memórias

Sua casa era simples, ela gostava do fogão de lenha sempre acesso ainda cedo da manhã, ali fazia doces, biscoitos de maisena e café pisado e torado em casa. O chão vermelho que lembrava uma grande goiabada, estava sempre limpinho, o telhado as vezes deixava uma fresta de luz do dol entrar fazendo desenhos no chão. Ela desprovida de vaidades, as vezes andava descalços, mesmo sabendo do chão da vida cheio de vidros quebrados. Dizia sempre que a paz de espírito era o melhor presente que a gente pode juntar para o futuro.
Sua pele era repleta de linhas que a vida escupiu com cuidado, seu cabelo de algodão, deixava claro os sinais da vida e do tempo que passara de forma árdua, mas ela era doce como os que preparava. No quintal tinha pombos que alimentava com esmero, sua horta fornecia temperos e chás para os preparos que ela nos oferecia. Tinha sempre uma receita para gripe ou febre, e, sobretudo, uma história pra contar. Em um canto da casa, sempre havia lembranças de alguém que viajara e trouxera algo pra ela.
E nas voltas que o mundo dá, a casa da avó vai ser sempre uma lembrança doce e gostosa que fica guardada em baús da memória, que em dias frios e nublados insistem em brotar como ervas daninhas que nunca mais sai. Que nem mesmo tentando arrancar ela deixa de brotar. Lembrar de que seus olhos se fechavam quando ria, que suas mãos tremiam quando abria a lata de biscoitos de canela e que sempre estava por perto disponível para um afeto é uma das coisas que quero guardar sempre. Ter um doce como vó, é ser feliz pra sempre, mesmo quando não está por perto, mas se olhar pra trás ela vai está sempre lá. No cheiro da canela, da fumaça da lenha, do café quente, dos temperos do quintal que eu também tenho, e que m dias de chuva exalam seu aroma alegrando a todos.

Um comentário: