quinta-feira, 11 de junho de 2015

Amor aos pedaços II

Quando o meu caçula era pequeno tinha pouca convivência com meu povo, a gente se via duas vezes por ano somente e era gente demais pra abraçar e sempre tinha pessoas novas pra conhecer. Ele não era chegado a  afagos de todo mundo. Certo dia sai para comprar pão e ao voltar, minha mãe estava com ele no colo, ela, feliz por que ele havia pedido ajuda depois que machucou o dedão do pé jogando bola. Depois disso os dois ficaram tão amigos que qualquer novidade no dia dele, me pedia pra ligar pra avó só para contar o que havia se passado.
Ela então me conta que sempre quis abraçar, mas como ele não queria seus afetos, ela respeitava. Por que o amor é assim como areia, se a gente prende na mão, ela escorrega e vai embora, se a gente deixa a mão aberta ela permanece lá. Ou seja, o amor carece de liberdade é feito aquele pássaro do qual Rubem Alves certa vez falou, ele pousa no dedo e fica em quanto quer, podendo ir embora quando bem entender.
Esses dias recebi uma mensagem que conta a lenda de um filósofo que dizia que a gente deveria escrever na areia todas as injurias, inveja, insatisfação, e escrever na rocha firme, os afetos, os favores e os amores que a vida oferece. Confesso que essa receita da felicidade é bem interessante, mas é difícil que só a peste para botar em prática.
E nas voltas que o mundo dá, seja areia, seja passarinho, o amor precisa de liberdade, isso é fato, e deixar as coisas ruins serem levadas pelo vento é o segredo da felicidade, mas como disse dona Canô: "Ser feliz é complicado, requer coragem, e poucos têm". É preciso colher o amor aos pedaços quando ele se oferece.

Nenhum comentário:

Postar um comentário