quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Matutando

O profeta de Khalil Gibran é um livro que deveria ser lido por todos pelo menos uma vez na vida. Há um trecho lindo em que ele diz: "Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas. O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe". Acho que nossos filhos não são as flechas, pois assim direcionaríamos para onde a gente quisesse, vejo como pássaros, livres que vão para onde os sonhos levam, mas concordo que somos o arqueiro que orienta o caminho das flechas.
Esses dias observando o mundo ao meu redor, vejo uma mãe com criança de cinco anos, unhas pintadas, batom vermelho, disse a mãe orgulhosa que a filha quer seguir seu exemplo e já se acha mocinha por isso as unhas e bocas pintadas. Me assustei com isso. Criança pra mim, deve ser criança, fazer criancices curte as maravilhas da infância. Outras afirmam que infância as crianças de hoje não tem. Não tenho filhas, tenho filhos e eles sempre brincaram, têm contato com a  natureza, e mesmo sendo o pai seu exemplo, ainda criança faziam criancices, temos até hoje animais de estimação que são membros da família, acho lindo quando eles pedem licença pra passar quando a gata tá no meio do caminho.
Não tem como fugir do mundo globalizado, mas quando a gente sai ninguém leva celular, aliás só ganharam os deles depois dos doze anos, não tem essa de adultalização, cada coisa no seu tempo. As responsabilidades vão chegar a seu tempo, pra quê adiantar?
E nas voltas que o mundo dá, a infância de hoje é fantásticas, se constrói mundos em telas de computadores, se conectam com pessoas distantes, fazem coisas impensadas na minha época, mas a orientação é responsabilidade dos pais, eles são pássaros que um dia alçarão voo livre, é preciso viver cada coisa a seu tempo. Queria bater um papel com o profeta debaixo da figueira do Líbano, para encontrar os filhos de minha ansiedade que larguei pelos caminhos da vida.
E lá vem o Neruda: "Em minha casa reuni brinquedos pequenos e grandes, sem os quais não poderia viver. O menino que não brinca não é menino, mas o homem que não brinca perdeu para sempre o menino que vivia nele e que lhe fará muita falta".

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