quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Amores bem sucedidos

Dizem que os amores bem sucedidos não fazem literatura, basta olhar para as histórias de amor do Romeu e Julieta, Tristão e Isolda entre tantos outros. Neles o amor é jovem, efêmero, rápido e intenso, acho que tá mais para paixão do que pra amor de verdade. Há amores que causam espanto. Essa história do João e da Marina me deixou boquiaberta e com esperança na humanidade. Eles se conheceram ainda na juventude, mas a paquera não foi adiante por que os pais da Marina não acharam que o João serviria pra ela. Ele a presenteou com um broche, na verdade um camafeu e ela guardou por toda a vida. 
O tempo passou, cada um seguiu com sua vida, constituíram família, foram felizes. Há quatro anos a Marina voltou a sua terra natal e encontrou o João, ambos viúvos, os olhos ao se encontrarem brilharam outra vez. Ela disse que foi como se rejuvenescer, se sentiu viva. Se casaram viveram dois anos juntos até que o João partiu para o andar de cima, ela afirma categoricamente, que sempre fora feliz, mas os dois anos que viveram juntos foram os melhores. Hoje ela prefere morar no lar dos idosos, não quer perturbar os casamentos dos filhos.
E nas voltas que o mundo dá, amores bem sucedidos deveriam sim ser literatura, a Marina disse que: "Depois do setenta não se vive mais com sexo, mas com afetos e afagos, carinhos que acalma a alma e adoçam a vida". Ela disse que sente todos os dias como a primeira vez, a falta do João. E com a Marina aprendi que o amor é atemporal, que não se carece de muitas vidas, as vezes em uma só pode ser. E amores bem sucedidos fazem parte da minha literatura preferida. Não gostei de amores interrompidos como o de Romeu e Julieta. E nem gosto dos Grimm que falam sempre em seus contos: "E foram felizes para sempre", prefiro felizes por hoje.

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