segunda-feira, 24 de julho de 2017

Lembrar

Dia desses na aula de inglês, o Lázaro perguntou com que celebridade a gente gostaria de conversar se tivesse a oportunidade de encontrar uma pessoa que já morreu. Eu respondi que seria Aristóteles, mas na verdade seria você. Ontem caminhando pela rua, vi um senhor de pele escura que caminhava como se pedisse licença ao vento, sorria como se visse coisas de outros mundos e me cumprimentou como se me conhecesse. Lembrei de você. Pessoa que com quem mal convivi, mas que suas histórias contadas por terceiros me fez construir uma imagem sua só pra mim. E gosto tanto dela, não sabia que a gente podia sentir saudade do que não se viveu, pois até então eu tinha saudades do que vivi e ficou pra trás, mas ontem senti saudades de você.
Lembrei que você gostava de lírios, mas eu gosto de flores vermelhas, mesmo assim comprei um quase se abrindo e o coloquei na sala pra ficar perto de você. fazendo jus aquele rapaz barbudo que diz: "A pessoas a flor da pele dê lírios"



O saramago disse certa vez que há pessoas com o coração de ferro, o dele sangrava todos os dias, pois era feito de carne e sangue. Ah, Saramago, o meu também, só que ele não é músculo involuntário, é um nervo exposto, que sente saudade até do que não viveu. E nas voltas que o mundo dá, a imagem que foi construída do meu velho ao longo de minha vida pelos irmãos e irmãs que com ele conviveram faz parte de mim e gosto muito disso. Lembranças pai.

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