quarta-feira, 19 de julho de 2017

Quentura

Existem dias frios que a gente sofre um pouco aqueles sintomas de lonjura. O Djavan disse que é nesses dias que a gente tem que arrumar um bom lugar para ler um livro. Na minha cidade natal os dias frios não eram assim tããão frios, e ainda tinha a casa da avó com fogão de lenha que aquecia a cozinha, cheirinho de café torrado em casa, chá de hortelã colhido logo ali no quintal e biscoitos de canela. Dona Joana era um mulher que gostava de ver os netos e netas de barriga cheia. Eu magrela sempre ganhava mais.
Esse ano o inverno chegou castigando parece até que os ossos vão trincar, a umidade tem contribuído para que a sensação térmica fique ainda mais fria. Nesses dias eu sofro de lonjura, aquela sensação de que o tempo corre pelas mãos como a massa do pão que a gente insiste em apertar. Os chimangos, eu desisti de aprender a fazer, mas um pão de batata dá pra ser feito. Não tem fogão a lenha, mas o forno ligado ajuda a aquecer as noites frias de inverno conquistense.
E nessas noites frias, a gente abre um vinho, as crias enchem as canecas de chocolate quente e a gente se ajeita perto do forno que cozinha o pão, pra gente comer com a manteiga derretendo sobre ele. Tem aquele queijinho derretido que a casquinha crocante tem que ter pra todo mundo.
E nas voltas que o mundo dá, mudam as estações, mudam os alimentos e o fogão, mas aquele cheirinho de comida gostosa, o aconchego que o frio insiste em fazer a gente aproveitar a deixa pra ficar perto das crias e encher a pança, ah, essa é a melhor parte do inverno. E Djavan, meu querido, o  livro fica pra depois.

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