domingo, 24 de setembro de 2017

Flechas e bumerangues

Cresci ouvindo as pessoas dizerem que os filhos são criados para o mundo, quando li Gibran e ele disse que filhos são flechas, e que não são nossos até acreditei, mas confesso meu querido Gibran, agora que sou mãe de adulto e adolescente sem nunca deixar de ser filha, que você estava enganado em parte. Filhos são flechas que projetamos, mas não são do mundo, não os criei para o mundo, eles são meus, sempre voltarão para mim, são bumerangues, neles habitam um pedaço de mim, assim como em mim habita os gestos, informações, e lembranças da minha mãe, que passo para eles e assim se eternizam.
Sempre que precisarem voltarão para casa, eles têm raízes, mesmo com suas folhas ganhando o mundo, nas diversas estações da vida, possuem assas para voar para seus sonhos, mas possuem motivos para voltar. Meus filhos são meus, são minha genética, meu aprendizado e não pertencem ao mundo. É um pedaço de mim que anda fora do meu corpo. Corpo esse que foi sua primeira morada e que ofereceu seu primeiro alimento.
Hoje estou com a casa quase vazia, o meu mais velho foi ali em Minas voar em busca de um pedacinho de sonho, apresentar o trabalho que foi premiado em primeiro lugar, mas é pra casa que ele vai voltar, é por causa dos ensinamentos que teve, que tem, e terá, que será sempre bumerangue e não flecha. E nas voltas que o mundo dá, de longe mais uma vez aguardo seu retorno. Espero pra ver o riso largo, a felicidade de quem sabe pra onde vai e de onde vem, e meu coração permanece aos pulos tentando se acostumar que esses são pequenos voos, preparos para o voo solo, que não tardará muito. Espero assim mesmo meu bumerangue voltar ao lar. Saudades Peu.


Nenhum comentário:

Postar um comentário