sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Gratidão

As coisas mais lindas e mais alegres da vida são as mais simples. Na minha rua que já não existe mais, convivi com pessoas que sem saber ou querer plantaram flores em mim. Eloá com seus cabelos coloridos, hoje a vejo na juventude que anda pintando de cores exóticas como ela fazia há tantos anos, azul, verde, roxo, pra mim era uma alegria ver a cor do dia, nunca descobri como ela conseguia tal feito. As duas benzedeiras que rezava a meninada contra ventre caído e mal olhado, sem cobrar nada e ainda curava tristeza. Uma delicadeza só.
Tinha os idosos como pai Zezé e Biica, Dona Severina e seu Cícero, era quase como os avós da meninada que corria de bicicleta (era uma pra todo mundo), carrinhos de rolimã e dividia a sorda que Mauricio fazia com todo mundo. Tinha a bodega de Dona naninha onde a gente comprava pastilhas garoto e drops paquera. Hoje as ruas andam modificadas, o transito não permite esse tipo de convivência, as tecnologias modificaram as coisas, afinal, cada tempo seus modos.


E nas voltas que o mundo dá, a primavera chegou no calendário, embora ela more em mim, são tantas flores cheirosas de lembranças da rua amada que nada pode apagar, e as histórias vividas eternizadas, guardadas em gavetas que as vezes solta seus esporos quando a gente ver algo que nos remete a tempos passados, como a palmeira que já espalha o cheiro de primavera-verão com sua exuberante inflorescência lembrando os jardins de minha mãe e da casa de Gigi. Ontem vi que o jasmim manga está florido no meu quintal, suas folhas cheiram a manga rosa, suas cores chamativas, alegram o ambiente. Hoje sinto gratidão pelas flores que brotaram em mim. Obrigada povo, onde estiverem sejam felizes.

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