terça-feira, 17 de outubro de 2017

Ensinagem

Ontem na fila do pão encontrei uma amiga antiga, parece até que nem moramos na mesma cidade, tanto tempo já se passou até que nos vimos ontem, e na fila do pão da padaria. Quase não a reconheci, mudou muito sua fisionomia. Ela me pergunta como vão meus meninos e eu toda prosa mostro a foto deles no celular (coisas das modernidades), ela desapontada me conta que obrigou o mais velho dela a fazer direito, o rapaz se formou e depois entregou o diploma a ela, dizendo que ia cuidar dos bichos da roça da família que iria ser feliz a partir de agora. Fiquei sem saber o que dizer.
As profissões são como uma ordem religiosa, tem que gostar do que faz e saber fazer. Nunca obriguei os meus a nada, mas incentivo a serem o que quiserem e achei erroneamente que todos eram assim. As escolas devem ser capacitadas para oferecem assas e não serem gaiolas, é natural que cada uma criança ou adolescente tenham suas dúvidas, afinal são muitas opções para escolher. É como chegar numa sorveteria e ter opções diversas de sabores, leva tempo, mas um dia se descobre a fruta preferida, o sabor que mais agrada, cada um no seu tempo.
E nas voltas que o mundo dá, ser educador, não é só saber o processo de ensinagem, é permitir a descoberta de hipóteses, é problematizar suas ações, ampliando sua leitura de mundo e oferecendo asas pra que os passarinhos possam ter seu voo solo. É complicado, mas necessário e natural. Nada se muda com a força, mas ninguém adoece por falta de amor.

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