sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Alpargatas

Na década de 1930, Raimundo Veloso, um cearense de Nova Olinda que costurava sandálias de couro se deparou com um forasteiro que viera das bandas de Pernambuco e lhes encomendou algumas alpargatas de solado irregular, sem se identificar, um mês depois ao voltar para pegar a encomenda se apresentou, era ninguém menos que Lampião, com esse tipo de calçado Lampião podia enganar os policiais e quem mais o procurasse pela caatinga desse nordeste a fora. O filho de Raimundo, Expedito Veloso, adotou o oficio de seu pai e passou a fabricar as alpargatas e criou inclusive uma marca. Sua arte ganhou o mundo, e hoje os modelos mais encomendados são os Maria Bonita e Lambião, modelagem inspirada no cangaço. 
Hoje Expedito fica com a parte da criação, são seus filhos, noras, netos e genros que trabalham juntos na sua associação no Ceará. Cada leva de 30 alpargatas demandam 15 dias de mão de obra.

Expedito veloso

Meu exemplar do Expedito

Esses dias, passando pelas terras pernambucanas, tive uma agradável surpresa. Encontrei na loja de seu Luiz, logo ali perto do marco zero, um exemplar das alpargatas do Expedito. Disse ele ser o único, estavam esperando nova remessa, e eu respondi, é do meu número, estava a esperar por mim. Logo que me virei, ela estava embrulhada em um saco de papel e amarrado com um barbante de agave e um laço de chita. Presente de um aluno.
E nas voltas que o mundo dá, saí de Recife como quem canta a "feira de mangaio" , pois as alpargatas não queriam me levar.

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