quinta-feira, 7 de junho de 2018

O bolo

Cozinhar é considerada por mim uma atividade alquímica, ainda sou aprendiz. Já o Mia Couto disse: "Cozinhar é o mais privado e ariscado ato". Em casa de minha mãe meu irmão Neno costumava fazer bolos de festa pra vender. Um dia, quando fui limpar a geladeira vi sobras de glace de bolo, gemas que não foram utilizadas e ainda tinha um cuscuz da noite anterior que havia sobrado. Fui misturando os ingredientes que tinha e acabei fazendo um bolo de fubá. O Miguel, cara viajado que tem um paladar apurado, gostou tanto do bolo que queria a receita, mas como? Fui usando o que tinha sem mensurar e deu certo.
Ontem ganhei quatro espigas de milho, não sabia o que fazer exatamente, e fui juntando ingredientes e acabai fazendo um bolo de milho que mais parece uma pamonha de forno. A vizinha queria a receita, mas como? Se fui misturando os ingredientes sem mensurar? O fato é que o bolo de lá, e o bolo de cá ficaram perfeitos por que não havia compromisso com a perfeição. A gente vai misturando o que tem e de repente, lá está a gostosura do dia.
E nas voltas que o mundo dá, os festejos juninos nem começaram direito, mas aqui em casa, hummm, já começamos a praticar. E não importa se o dia tá frio e cinzento, quente e azul, a gente vai misturando os sentimentos, vai temperando com cheirinho de carinho, pequenas delicadezas diárias que acabam dando em um lindo e saboroso bolo chamado vida. Essa coisa que não em definição e que a gente não sabe com começou, nem como vai terminar, mas que é muito gostosa de experimentar um pedacinho todos os dias. Feliz junho povo da lida.

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