sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Resoluções

Esses dias li uma frase linda do Rubem, meu amigo que nunca vi, mas sempre o amei. "Ler é fazer amor com as palavras". Esse ano decidimos não viajar em janeiro, as praias lotadas, as filas pra tudo quanto é coisa é muito desagradável. Optamos pela paz do mato e de casa. Resolvi fazer amor com as palavras colocando em dia a leitura, há muito tempo esquecida numa prateleira da estante. Refletindo nas margens do rio enquanto observo a água correr sem parar, sem cansar, num barulhinho bom, passei a fazer minhas resoluções com base num texto lindo dele:
"As cigarras passam a maior parte de suas vidas debaixo da terra, alimentando- se das raízes das árvores. Disseram-me que há certas espécies de cigarras que chegam a viver 15 anos debaixo da terra. De repente, alguma coisa acontece, e surge dentro delas um impulso irresistível para mudar. Saem então dos seus túneis, sobem pelos troncos das árvores, arrebentam suas cascas, subterrâneas gaiolas, e se transformam em seres alados. Se elas não abandonarem suas cascas não se transformarão em seres alados. Continuarão a ser seres subterrâneos. Nossos demônios são nossas cascas. Abandonar as cascas é esquecer a forma subterrânea de ser. A grande transformação das cigarras acontece quando a morte se aproxima. É a proximidade da morte que lhes diz: ‘Chegou a hora de voar, cantar e fazer amor, para continuar a viver…’ Eu acho que a morte é o único poder capaz de nos trazer vida nova. A consciência da morte nos força a sair de nossas sepulturas, nos dá asas, nos convida a voar e a amar.”
E nas voltas que o mundo dá, posso trocar a cigarra pela borboleta né? Afinal elas são mais graciosas, silenciosas e eu gosto tanto delas. Vamos nos metamorfosear mais uma vez pra viver em paz. Feliz Ano novo. Feliz vida nova.