domingo, 25 de março de 2018

Semeadura

O Paulo Freire afirmou certa vez que: "Ensinar e aprender não pode dar-se fora da procura, fora da boniteza e da alegria". Sempre sabido esse Paulo. Na sexta-feira passada fui a uma festa tipicamente cigana, logo eu a antissocial que tem restrições alimentares agora, mas que fique claro não tenho restrições emocionais. Se tivesse tava ferrada. No evento lindo e cheio de belezas das quais eu desconhecia, dois jovens me procuram, sabia que os conhecia, mas não lembrava os seus nomes. Eram Jonatan e Vando, o primeiro agora docente de Educação Física e mestre caminhando pra um doutorando, o outro, um dos escultores mais importantes da cidade, ambos foram meus alunos do ensino médio.
Ao encontra-los ouço histórias das suas percepções a meu respeito, lembraram até os dias que levei o Pedro pra sala de aula por não ter com quem deixá-lo e não queria perder a aula. Me contaram das mudanças em suas vidas e o mais gratificante, eu fui importante para a sua formação (joguei confete e serpentina em mim agora), desculpa aí tá, mas eles me fizeram sentir que a semeadura deu uma excelente colheita.


Jonatan Silva

O Rubem Alves, outro menino sabido, disse certa vez que: "Quem experimenta a beleza está em comunhão com o sagrado". Ah, Rubem, meu querido, experimentei a beleza de ver que meus amados alunos se tornaram grandes, seguiram seus caminhos e agora saem por aí multiplicando conhecimento, semeando novas bonitezas pelo mundo a fora. E nas voltas que o mundo dá, a vida não deve ser economizada e quem não tem jardim por dentro não pode ser jardim por fora. Adorei te encontrar Jonatan e Vando.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Sabido, sábado, sabático

A pedagogia histórico crítica é um método pedagógico que favorece a aprendizagem a partir da problematização, é uma forma dialética de se trabalhar conteúdos. Saviani defende essa forma como sendo revolucionária e eficiente. Paulo Freire disse que a procura é o primeiro passo para a aprendizagem, pois não se pode aprender sem a curiosidade e o prazer da leitura. na Idade Média alguns pesquisadores tiravam um tempo para viajar, conhecer o mundo e registrar suas aventuras em livros didáticos, eram considerados anos sabáticos, sem o compromisso com nada se não pela descoberta das coisas.
No meu tempo de colégio não lembro de ter sábados letivos como ultimamente, mas tive um professor que via o mundo meio como Saviani e Freire, ele buscava instigar nos alunos o prazer de aprender, descobrir os conteúdos brincando. Em suas aulas as vezes organizava dinâmicas como uma sabatina. Era o melhor do dia, de uma lado ficavam as meninas, do outro os meninos e o professor Zezé no meio da sala orquestrando as perguntas, cada acerto era uma festa.
Daquela turma, mantenho amizades ainda com um tanto de gente, e a agora a pouco dias soube que um daqueles sabatinados, hoje é um menino sabido que foi eleito para a Academia de Letras de Campina Grande, lá na terrinha e vai ocupar a cadeira cujo patrono é outro esperancense, o poeta Silvino Olavo. Eita, Rau Ferreira, parabéns, manda ver.
E nas voltas que o mundo dá, tivemos sorte em ter pessoas tão talentosas como Zezé que nem sei se ainda vive, assim como outros professores que já praticavam a pedagogia da autonomia, da afetividade e histórico-crítica sem nem mesmo essas terem sido desenvolvida e disseminada. Eram dias sabáticos, mas não eram sábados, porém, todos sabidos.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Terminal

O passarinho estava ali,
sob a mesa há pouco desocupada
por um casal desencontrado.

Ele ciscava o chão
e comia passados.

Fagulhas de pão, fragmentos de sonho,
restolhos de dor,
partículas pequeninas de esperança.

Seu interior é uma mistura minha
do não sabido e do inventado
no ardor e no alívio
do sereno sacrifício do amar.

E quando ele voa
para as bandas de outros tempos
também ele sangra em meu pensamento.

E nem se sabe flagrado e findo
nas telas tênues do vento.

Nara Rúbia Ribeiro