terça-feira, 7 de julho de 2026

Calçando do sertão

O Sertão nordestino é um lugar de identidade própria onde tudo se adapta a região. A chinela de couro também conhecidas como alpargata ou alpercatas é o símbolo de uma rica herança cultural e de identidade. Com ela se pisa no chão com respeito a ancestralidade. Ela se adapta ao pé de quem as usa, feitas de couro de bode ou de boi. A famosa sandália feita para Lampião por Raimundo Seleiro com a finalidade de confundir os "macacos" nas quebradas do sertão deu notoriedade e fama para a família de artesãos que hoje são conhecidos mundialmente com o mestre Espedito Seleiro que inovou as sandálias com novas cores e solado de pneus, garantindo durabilidade e sustentabilidade aos calçados.
As sandálias de Espedito ganhou o mundo e criou um novo conceito de luxo, não com pedras preciosas, mas com couro, feitas a mão, com história e criatividade. Os artesãos em cada localidade do Nordeste ainda praticam a arte do couro e vendem em feiras e lojas a preço acessível e modelagem tradicional. O que antes apenas fazia parte da vestimenta de vaqueiros e camponeses agora ganhou destaque e rompeu fronteiras.
Desde sempre calcei o sertão, na rodoviária velha de Campina Grande uma lojinha do outro lado da calçada vende as alpercatas de couro e solado de pneus para viajantes e nativos, embora o cheiro ainda fosse forte por uns dias, elas se adaptam aos pés garantido um pisar leve, conforto e durabilidade. E nas voltas que o mundo dá, as minhas "alpercatas" ainda fazem parte de minha vestimenta sertaneja, calçando resistência e levando as minhas origens para onde quer que eu vá. O que mudou é que antes era olhada de maneira estranha por muitos, mas hoje é sinônimo de orgulho nordestino. Obrigada mestre Espedito Seleiro que nos brinda com obras de arte vestível.


Um comentário:

  1. Na Prata, em Campina Grande, recebo um convite a uma sempre lece, bela e significativa leitura. E, nas voltas que o mundo dá, daqu a alguns minutos estarei diante da lojinha de artigos de couro, ali na calçada fronteira à velha rodoviária de CG. Aninha nos traz não apenas lembrança, mas a exaltação desse artesanato que virou moda, antes visto quase com desdém, porém muito apropriado por quem a entendia como coisa nossa, nordestina, e celebrada como algo muito caro à nossa identidade. E, como lambugem, ainda nos conduz por caminhos da nossa história.

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