terça-feira, 7 de julho de 2026
Calçando o sertão
domingo, 15 de fevereiro de 2026
Afetos passageiros
Existem amores que vem e que vão com a mesma rapidez. Certa vez Rubem Alves escreveu que: "Amar é ter um pássaro pousado no dedo. Quem tem pássaro pousado no dedo sabe que a qualquer momento ele pode voar". Êita Rubem, senta aqui pra eu te contar. Nos último anos muitos pássaros pousaram no meu dedo e muitos gatos passaram em minha casa. Alguns chegam feridos, se curam e vão embora outros ganharam novos lares. Dia desses um deles ficou mais tempo, fez amizade com as gatas e voava tranquilamente pela casa, comida na mão e adorava manga era Virgulino. Chegou aqui depois de cair do ninho e teve a liberdade para decidir ir embora quando bem quis.
Eu e Virgulino
Depois que ele se foi em pleno inverno chegou a Clara, numa noite fria com fome e sede se escondeu na garagem, acolhemos, castramos e depois de um tempo de apego afetivo ela encontrou um novo lar. Hoje é bem cuidada e as vezes a gente se ver.quinta-feira, 1 de maio de 2025
Lugar
Um
lugar pode ser definido como sendo a porção do espaço geográfico dotada de
significados particulares e relações humanas. Houve um tempo em que igrejas
eram lugares feitos para o pensamento, a calmaria, a contemplação. Templos com
vitrais, colunas, com cheiro de incenso, instrumento musical característico
para a música que eleva o espírito. As feiras livres era um lugar de muitas cores,
sabores e cheiros. As ruas dos centros das cidades cheias de gente, uma rua
pulsante, viva. As casas tinham curvas, cores vibrantes, no seu interior
normalmente um móvel ou outro de herança de família, plantas naturais, móveis novos
combinado perfeitamente com os antigos, nas paredes quadros de artistas
regionais ou até mesmo da família.
Com a globalização e as novas tecnologias digitais as coisas foram ficando genéricas, o espaço e o lugar ficaram sem significados. Hoje as igrejas são templos de cadeiras de plástico, banda de instrumentos barulhentos, sem contemplação, sem iluminação difusa que promove a introspecção, gritos e danças são ouvidos até do lado de fora. As feiras livres agora apresentam seus produtos previamente embalados, já não tem aquele pastel de feira com caldo de cana, e parte desse comércio foi para os mercados que agora são hipermercados, os mercadinhos de bairro praticamente sumiram.
As
casas dão lugares a prédios cada vez mais altos, cheios de vidro que confundem
os passarinhos que batem neles e caem mortos, se confundem com o reflexo do
sol, e muitas vezes até as gramas dos condomínios são de plástico. Quando tem
casa ainda são reformadas com linhas retas e padronizadas, não existe mais originalidade
é tudo genérico. No interior tudo que é velho é feio e as casas se enchem de
informações nas paredes no chão e tudo é tão igual.
A
falta de tempo para cozinhar faz as pessoas recorrerem aos pedidos pelos aplicativos,
o gostinho de comida de casa, de cozinha quente e cheirosa hoje é raridade. Procurando
por essas normalidades de cada lugar a gente viaja. Nos hotéis em qualquer lugar
do mundo existe um padrão, o regionalismo tá aonde gente? Como assim ira a
Porto Seguro e não encontrar nos hotéis comidas regionais?
Aqueles encontros no final da tarde nas calçadas, que delícia! Essa nova geração não conhece, mas tem uma intimidade com as telas, até o café da esquina, ou boteco da rua do lado, agora para atrair clientes precisa ter um ambiente instagramável, ou seja, ambiente bonito que as pessoas possam tirar fotos e divulgar o local. O centro da cidade agora é quase desértico, as pessoas preferem os ambientes de shopping e o lugar comum vai ficando sem vida, a cidade não pulsa. A terra dos biscoitos de "chimangos" e "avoadores", agora introduziram o prefixo, "gourmet" em tudo para valorizar o produto. E nas voltas que o mundo dá, a vida vai perdendo um pouco em cada mudança padronizada no mundo globalizado e vázio.
quarta-feira, 15 de janeiro de 2025
Caju
quarta-feira, 13 de novembro de 2024
Miçanga
segunda-feira, 21 de outubro de 2024
Fome
sexta-feira, 18 de outubro de 2024
Retrato
segunda-feira, 2 de setembro de 2024
Cheganças
segunda-feira, 26 de agosto de 2024
Chegada esperada
segunda-feira, 19 de agosto de 2024
Renascer
sábado, 27 de julho de 2024
Materna
quarta-feira, 24 de julho de 2024
Sem explicação
terça-feira, 9 de julho de 2024
Retalhos de afeto
domingo, 23 de junho de 2024
Memórias
sábado, 15 de junho de 2024
Abusos
domingo, 9 de junho de 2024
Auscutar
Esses dias fui ao médico e na sala de espera uma senhora toda cheia de dores comentava as mudanças do clima e o que causava em sua saúde. Embora eu sinta essas coisas de dores quando o tempo muda e minhas juntas se juntam contra mim, eu a ouvi em uma escuta ativa, sem ruídos auscutando suas lamentações parecia sentir necessidade de falar. E depois da consulta era minha vez, ela sorriu e agradeceu que eu a ouvi sem julgar. Fiz igual aos "Pinguins de Madagascar" (sorria e acene).




